Pediatra observando comportamento infantil para avaliar possíveis sinais de TDA

Como diferenciar TDAH de comportamentos típicos da infância

“Meu filho é agitado… isso é TDAH ou é normal da idade?”

É totalmente compreensível que pais fiquem inseguros, afinal, algumas características do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem ser facilmente confundidas com comportamentos típicos da infância. A boa notícia é que existem sinais claros — e validados cientificamente — que nos ajudam a diferenciar cada situação.

O que é típico da infância?

Crianças pequenas são naturalmente:

  • Curiosas

  • Energéticas

  • Distraídas

  • Impulsivas em alguns momentos

Esses comportamentos fazem parte do neurodesenvolvimento. O cérebro infantil ainda está aprendendo a regular emoções, atenção e impulsos.

Situações comuns que não costumam indicar TDAH:

  • A criança só se distrai em atividades que não gosta.

  • A agitação é maior em horários específicos (por exemplo, perto da hora de dormir).

  • Ela consegue focar quando algo realmente a interessa (jogos, brinquedos, desenhos).

  • As birras melhoram com rotina e limites.

Isso tudo entra no “esperado” para a idade.

Quando pensar em TDAH? Sinais que merecem atenção médica

O TDAH não é apenas agitação. Ele é um transtorno neurobiológico que afeta atenção, organização e controle dos impulsos, gerando prejuízo real no dia a dia da criança.

Os sinais mais importantes incluem:

1. A falta de atenção é constante e aparece em vários ambientes

  • Se distrai mesmo em tarefas que gosta

  • Esquece materiais da escola frequentemente

  • Não consegue seguir instruções completas

  • Muda de atividade o tempo todo

E isso ocorre em casa, na escola e em atividades sociais.

2. A hiperatividade não é só energia — é um padrão repetitivo

Exemplos:

  • Levanta o tempo todo da cadeira

  • Corre em momentos inadequados

  • Mexe mãos e pés sem parar

  • Fala excessivamente

3. A impulsividade causa prejuízos

  • Interrompe conversas

  • Responde antes da pergunta terminar

  • Tem dificuldade em esperar a sua vez

  • Age sem pensar nas consequências

4. Há impacto real na vida da criança

Esse é o ponto mais importante.

O comportamento precisa causar sofrimento ou prejuízo:

  • Dificuldades escolares

  • Baixa autoestima

  • Problemas de socialização

  • Frustração intensa

  • Conflitos frequentes em casa

Como faço o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado em:

  • Entrevista com os pais

  • Avaliação detalhada do comportamento

  • Informações da escola

  • Histórico de desenvolvimento

  • Exclusão de outras causas (sono ruim, ansiedade, TEA, alimentação, estresse)

Não existe um exame único que confirme TDAH.
Por isso, a avaliação médica especializada é essencial.

“Doutora, e se meu filho for só agitado?”

Essa é uma das perguntas que mais recebo.
Se a criança é ativa, curiosa e cheia de energia — mas funciona bem na escola, nas relações e em casa — provavelmente estamos falando de um padrão típico da infância.

Quando o comportamento ultrapassa o limite do esperado, causa sofrimento e está presente em todos os ambientes, aí sim vale investigar TDAH.

Quando procurar ajuda?

Indico uma avaliação quando você percebe:

  • Dificuldade significativa na escola

  • Muita desorganização

  • Esquecimento frequente

  • Birras intensas e dificuldade de controle emocional

  • Agitação que interfere na rotina

  • Preocupação constante dos professores

Quanto mais cedo identificamos o que está acontecendo, melhor o suporte oferecido à criança e à família.

Conclusão

Cada criança tem seu ritmo, seu jeito e sua forma única de se comunicar com o mundo.
O meu papel é ajudar você a entender o que é esperado — e o que pode indicar que seu filho precisa de acompanhamento.

Se você tem dúvidas ou percebe que algo não está bem, agende uma avaliação. Estou aqui para caminhar ao seu lado nessa jornada.

Dra. Isabelle Faria Tiburcio
CRM/SP 177388 • RQE 128764

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