Criança montando peças coloridas representando o desenvolvimento infantil no autismo

Autismo é deficiência?

Primeiro, é importante entender o que é o autismo

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do neurodesenvolvimento. Isso significa que o cérebro se desenvolve de forma diferente desde os primeiros anos de vida.

Ele pode impactar principalmente:

  • Comunicação verbal e não verbal

  • Interação social

  • Comportamento

  • Processamento sensorial

  • Atenção e regulação emocional

Algumas crianças podem falar mais tarde, outras podem apresentar regressão na fala. Algumas têm sensibilidade maior a sons, texturas ou luzes. Outras podem apresentar comportamentos repetitivos ou dificuldade com mudanças na rotina.

É importante entender que o autismo é um espectro. Isso significa que cada pessoa é única.

Do ponto de vista médico, o autismo é uma deficiência?

Sim. Do ponto de vista médico e científico, o autismo é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento que pode gerar limitações funcionais.

Essas limitações podem afetar:

  • Comunicação

  • Independência

  • Aprendizagem

  • Adaptação social

  • Autonomia em diferentes fases da vida

Mas isso não define o valor da pessoa, nem limita seu potencial.

Muitas pessoas autistas têm inteligência dentro ou acima da média, e com o suporte adequado podem ter uma vida plena, independente e produtiva.

Do ponto de vista legal, o autismo é considerado deficiência no Brasil

No Brasil, existe uma lei específica que define isso claramente.

A Lei nº 12.764/2012 , conhecida como Lei Berenice Piana, estabelece que a pessoa com autismo é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.

Isso é extremamente importante porque garante direitos como:

  • Acesso a terapias

  • Atendimento prioritário

  • Inclusão escolar

  • Suporte educacional

  • Proteção legal

  • Acessibilidade

Esse reconhecimento não é para limitar, mas para proteger.

O termo “deficiência” não significa incapacidade

Essa é uma das maiores preocupações dos pais, e eu entendo completamente esse sentimento.

Quando falamos em deficiência, estamos falando de uma diferença no funcionamento neurológico que pode exigir suporte adicional.

Não significa que a criança não possa:

  • Aprender

  • Evoluir

  • Se desenvolver

  • Ter autonomia

  • Ter qualidade de vida

Na verdade, quanto mais cedo identificamos e iniciamos intervenções, melhores são os resultados.

Cada criança autista é única

Na minha prática clínica, acompanho crianças com diferentes níveis de suporte.

Algumas precisam de apoio mais intenso, enquanto outras vivem de forma totalmente independente.

Isso depende de diversos fatores, como:

  • Diagnóstico precoce

  • Intervenção adequada

  • Terapias especializadas

  • Ambiente familiar acolhedor

  • Suporte educacional

O cérebro infantil tem uma capacidade extraordinária de adaptação, chamada neuroplasticidade.

Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante.

Sinais que podem indicar autismo

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • Não responder ao nome

  • Pouco contato visual

  • Atraso na fala

  • Perda de habilidades já adquiridas

  • Pouco interesse em interações sociais

  • Movimentos repetitivos

  • Sensibilidade a sons ou texturas

  • Dificuldade com mudanças na rotina

Nem sempre esses sinais significam autismo, mas merecem avaliação.

O autismo tem tratamento?

O autismo não é uma doença que precisa ser curada. É uma condição.

Mas existem intervenções extremamente eficazes que ajudam no desenvolvimento da criança.

Entre elas:

  • Terapia fonoaudiológica

  • Terapia ocupacional

  • Psicoterapia

  • Intervenções comportamentais

  • Suporte escolar adequado

Essas intervenções ajudam o cérebro a desenvolver novas conexões e habilidades.

Meu trabalho como pediatra é olhar o desenvolvimento como um todo

No meu atendimento, avalio não apenas o comportamento, mas também:

  • Sono

  • Alimentação

  • Atenção

  • Desenvolvimento neurológico

  • Aspectos emocionais

  • Regulação sensorial

Também acompanho adolescentes e adultos com questões relacionadas ao neurodesenvolvimento, ansiedade e qualidade de vida.

Possuo pós-graduação em terapias com canabidiol e utilizo essa abordagem com responsabilidade, sempre baseada em evidências científicas e quando há indicação médica adequada.

É importante destacar que o uso de canabidiol para ansiedade é indicado apenas para adultos, e não para crianças, salvo indicações médicas específicas e criteriosas.

O mais importante: seu filho continua sendo seu filho

O diagnóstico não muda quem ele é.

Ele continua sendo uma criança com potencial, emoções, inteligência e capacidade de evolução.

O diagnóstico apenas permite que possamos oferecer o suporte correto.

E isso faz toda a diferença.

Quando procurar um pediatra especializado?

Se você percebe:

  • Atraso na fala

  • Mudanças no comportamento

  • Regressão no desenvolvimento

  • Dificuldade de interação

  • Problemas de sono

  • Alterações alimentares

Uma avaliação médica é o primeiro passo.

Quanto mais cedo avaliamos, maiores são as chances de desenvolvimento saudável.

Estou aqui para ajudar você e sua família

Meu objetivo é oferecer um cuidado individualizado, baseado na ciência, mas acima de tudo humano.

Atendo crianças, adolescentes e adultos, avaliando o desenvolvimento, comportamento e qualidade de vida de forma completa.

Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, buscar orientação é um ato de amor e cuidado.

Dra. Isabelle Faria Tiburcio
CRM/SP 177388 • RQE 128764

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